Segundo turno de 2026: Ratinho Jr. declara apoio a Flávio e Lula reforça a equipe de comunicação

Atualização: 11 de outubro de 2026, às 7h (horário de Brasília)

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. (Foto: Dálie Felberg/Alep)

Resumo executivo

Desde a verificação anterior, quatro novidades merecem destaque:

  1. Ratinho Jr. (PSD), governador do Paraná, declarou apoio individual a Flávio Bolsonaro. A direção nacional do PSD mantém neutralidade; portanto, a declaração não representa adesão oficial do partido.
  2. Sidônio Palmeira vai se afastar da Secretaria de Comunicação Social da Presidência a partir de 12 de outubro para atuar integralmente na campanha de Lula. A decisão indica reforço da comunicação petista após o desempenho do primeiro turno.
  3. O debate da Record marcado para 11 de outubro foi cancelado, segundo a emissora, por incompatibilidade de agendas. A agenda divulgada aponta SBT em 15/10, Band/Estadão em 18/10 e Globo em 23/10; participação e regras ainda devem ser confirmadas.
  4. O TSE pediu esclarecimentos à campanha de Flávio sobre a ação contra o canal “Exército do Lula”, de André Janones. O ministro recebeu a ação para processamento, mas ressaltou que isso não significa reconhecer as acusações.

A última pesquisa nacional divulgada nesta janela continua sendo a Ipespe/ABRAPEL, publicada em 10 de outubro: Flávio aparece com 52,7% dos votos válidos e Lula com 47,3%. Não foi localizado novo resultado nacional publicado até o horário desta atualização.

1. Alianças e apoios: Ratinho Jr. é a novidade, mas o PSD segue neutro

Apoio individual confirmado

Em 10 de outubro, Ratinho Jr. (PSD) anunciou apoio a Flávio nas redes sociais, após conversa com o senador e com o governador paulista Tarcísio de Freitas. Isso amplia a lista de lideranças estaduais posicionadas a favor do candidato do PL.

Distinção importante: o PSD declarou neutralidade no segundo turno. A manifestação de Ratinho Jr. é individual e não equivale a uma decisão institucional do partido. O mesmo cuidado vale para Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, que também se posicionaram individualmente a favor de Flávio.

Flávio já conta com apoios partidários anunciados da federação União Brasil/Progressistas, Podemos, Republicanos e Novo. O apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária também foi divulgado, mas não equivale à adesão de todos os partidos ou eleitores ligados ao agronegócio. A expectativa de adesões de diretórios estaduais do MDB continua sendo negociação, não apoio nacional formal confirmado.

Fonte: UOL — Ratinho Jr. declara apoio a Flávio, 10/10.

Apoios a Lula

Lula fez ato em Natal (RN), em 10 de outubro, ao lado de lideranças estaduais do Nordeste e do candidato petista ao governo potiguar, Cadu de Lula. A presença de governadores aliados reforça o palanque regional, mas não constitui nova coligação presidencial. A cantora Anitta declarou voto em Lula nas redes sociais; trata-se de apoio individual, sem base suficiente para estimar transferência de votos.

Fontes: UOL — Lula no palanque de Cadu de Lula, 10/10; Folha — declaração de voto de Anitta, 10/10.

2. Estratégia de campanha: Lula muda a coordenação de comunicação

O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, deverá se afastar da pasta a partir de segunda-feira, 12 de outubro, para trabalhar integralmente na campanha de Lula. Segundo o UOL, ele já participou no sábado das discussões sobre estratégia, conteúdo para redes sociais e propaganda eleitoral.

A mudança ocorre depois de críticas internas à comunicação petista e do resultado do primeiro turno, em que Flávio terminou à frente de Lula. O plano divulgado inclui ampliar a presença digital do presidente, intensificar o contato direto com eleitores e contestar propostas de Flávio sobre cortes de gastos, programas sociais e direitos trabalhistas.

Leitura analítica: a entrada de Sidônio em tempo integral é uma mudança operacional concreta, mas ainda não prova que a estratégia melhorou. O indicador a acompanhar será a evolução da percepção da campanha e das intenções de voto nas próximas pesquisas.

Fonte: UOL — Sidônio Palmeira se afasta da Secom para reforçar a campanha, 10/10.

Flávio lança página para responder a críticas

A campanha de Flávio publicou um site de “anti-fake news” para responder a críticas e detalhar algumas propostas. Sobre o salário mínimo, afirma que não pretende extinguir o piso nem desvinculá-lo da inflação, mas não promete manter reajustes acima da inflação. O site também sustenta que programas como Bolsa Família e Pé-de-Meia serão mantidos.

A diferença entre corrigir o mínimo apenas pela inflação e garantir ganho real é material. Reportagens indicam que assessores de Flávio estudam um ajuste fiscal amplo e que a equipe ainda precisa explicar quais despesas seriam cortadas e como seriam preservados benefícios previdenciários e sociais. A campanha afirma que não pretende concentrar cortes nos mais pobres.

Leitura analítica: o site torna mais explícita a posição pública da campanha, mas não substitui um plano fiscal detalhado com medidas, prazos, valores e efeitos distributivos.

Fonte: Folha — site de Flávio esclarece posição sobre salário mínimo e programas sociais, 10/10.

3. Justiça Eleitoral e disputa digital

TSE pede esclarecimentos sobre ação contra o canal de Janones

Em 10 de outubro, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que Flávio apresente esclarecimentos em até 72 horas sobre sua ação contra Lula, Geraldo Alckmin e André Janones. A campanha de Flávio pede, entre outras medidas, a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, a remoção de publicações e a cassação da chapa.

O ministro pediu que a campanha delimite as alegações, identifique as publicações e apresente arquivos digitais originais. Lula, Alckmin e Janones foram notificados para apresentar defesa. A ação foi recebida para processamento, mas a decisão ressalta que isso não significa reconhecimento das acusações. Janones nega as alegações; o suposto uso de recursos públicos para impulsionar conteúdo precisa ser comprovado no processo.

Fonte: Folha — TSE cobra esclarecimentos de Flávio sobre ação contra canal pró-Lula, 10/10.

Caso Meta: sem conclusão de favorecimento

A campanha de Lula acusa a Meta de limitar o alcance ou o impulsionamento de publicações do presidente. A empresa nega favorecimento e diz que problemas técnicos não se restringem ao Brasil nem a contas específicas. O TSE determinou que a empresa apresente informações e preserve registros.

Até esta atualização, há uma controvérsia formal e uma ordem de esclarecimento, mas não uma conclusão judicial de que a Meta favoreceu deliberadamente Flávio. A próxima análise deve se apoiar nos dados técnicos apresentados, não apenas nas alegações das campanhas.

Fonte: Folha — TSE exige explicações da Meta, 10/10.

4. Debates: encontro da Record foi cancelado

A Record cancelou o debate previsto para domingo, 11 de outubro, alegando incompatibilidade de agendas dos candidatos. Segundo o calendário publicado pelo Poder360, os próximos encontros previstos são:

Emissora/poolData divulgadaSituação nesta atualização
SBT15 de outubroPrevisto; confirmar participação e regras
Band/Estadão18 de outubroPrevisto; confirmar participação e regras
TV Globo23 de outubroPrevisto; confirmar participação e horário

O cancelamento elimina uma oportunidade imediata de confronto direto. Os encontros restantes ganham peso, mas a participação efetiva ainda precisa ser confirmada pelas campanhas e emissoras.

Fonte: Poder360 — Record cancela debate de 11/10 por incompatibilidade de agendas, 9/10.

5. Pesquisas e percepção pública

Não foi localizado novo resultado nacional de segundo turno publicado desde a última verificação. O levantamento mais recente confirmado nesta checagem é o Ipespe/ABRAPEL, divulgado em 10 de outubro.

InstitutoCampo e divulgaçãoAmostra e métodoMargem de erroResultado
Ipespe/ABRAPELCampo: 6–8/10; divulgação: 10/101.500 eleitores; entrevistas por telefone, segundo a reportagem e o relatório técnico±2,6 p.p.Votos totais: Flávio 49%, Lula 44%; válidos: 52,7% a 47,3%
DatafolhaCampo: 6–8/10; divulgação: 8/102.520 eleitores; entrevistas presenciais±2 p.p.Votos válidos: Flávio 52%, Lula 48%
PoderData/AyaCampo: 5–7/10; divulgação: 8/103.000 entrevistas por telefone±1,8 p.p.Votos válidos: Flávio 53%, Lula 47%
AtlasIntel/BloombergCampo: 3–8/10; divulgação: 9/105.026 entrevistados; recrutamento digital e questionário on-line±1 p.p.Votos válidos: Flávio 52,8%, Lula 47,2%
Vox BrasilCampo: 5–7/10; divulgação: 9/102.100 eleitores; entrevistas presenciais domiciliares±2,15 p.p.Intenção estimulada total: Lula 44,2%, Flávio 42,7%

Fontes: Ipespe/ABRAPEL; Datafolha; PoderData/Aya; AtlasIntel/Bloomberg; Vox Brasil.

Interpretação

Quatro dos cinco levantamentos listados mostram Flávio numericamente à frente nos indicadores publicados; a Vox Brasil apresenta Lula numericamente à frente, em empate técnico. Os métodos e as métricas não são idênticos, por isso não cabe calcular uma média simples. A leitura mais segura é acompanhar a evolução de cada instituto em relação à sua própria rodada anterior.

No Ipespe/ABRAPEL, 49% disseram que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 46% em relação a Flávio. A mesma pesquisa indicou que Flávio era percebido como o candidato com melhor desempenho em TV/rádio (43% a 34%), redes sociais (47% a 32%) e WhatsApp (44% a 30%). Esses números medem percepção declarada, não alcance real nem persuasão comprovada.

Fonte: Ipespe/ABRAPEL — relatório técnico, 10/10.

6. Comparativo: fatores favoráveis e riscos

DimensãoLulaFlávio Bolsonaro
ApoiosPalanque de governadores aliados no Nordeste; apoio individual de AnittaApoio individual de Ratinho Jr., além de Caiado, Zema e Cury; partidos formalmente alinhados
EstratégiaReforço de Sidônio Palmeira em tempo integral; foco em comunicação digital e defesa de programas sociaisSite para responder a críticas; discurso de mudança, ajuste fiscal e preservação declarada de programas
MobilizaçãoNordeste e tentativa de recuperação no SudesteRio de Janeiro e articulação com lideranças estaduais, incluindo Paraná e São Paulo
Risco jurídico/digitalDisputa com a Meta ainda sem conclusão sobre favorecimentoAção contra o canal de Janones precisa especificar provas; o TSE ainda não reconheceu as acusações
PesquisasVantagem numérica apenas no levantamento Vox Brasil entre os cinco comparadosVantagem numérica em quatro dos cinco levantamentos listados

Fatores que podem favorecer Lula

  • Reorganização de comunicação com Sidônio Palmeira atuando integralmente na campanha.
  • Capacidade de mobilizar governadores aliados e estruturas partidárias no Nordeste.
  • Possibilidade de explorar a diferença entre reajuste do salário mínimo apenas pela inflação e ganho real.

Fatores que podem prejudicar Lula

  • Flávio lidera no resultado do primeiro turno e na maioria dos levantamentos recentes.
  • O Ipespe registra percepção de desempenho inferior de Lula em TV, rádio, redes sociais e WhatsApp.
  • A disputa com a Meta pode consumir tempo e atenção sem que a alegação de favorecimento esteja comprovada.

Fatores que podem favorecer Flávio

  • Apoio individual de Ratinho Jr. amplia sua presença política no Paraná, embora não represente adesão do PSD como partido.
  • Maior número de apoios partidários formais e vantagem numérica em quatro dos cinco levantamentos listados.
  • A página de propostas procura responder diretamente às críticas sobre salário mínimo e programas sociais.

Fatores que podem prejudicar Flávio

  • Falta de detalhamento público de como seria implementado o ajuste fiscal e quais rubricas seriam reduzidas.
  • A ação contra o canal de Janones ainda precisa apresentar provas específicas e passar pelo contraditório.
  • A manifestação de um líder religioso não permite inferir transferência automática de votos de toda a comunidade religiosa.

7. Sinais prioritários para a próxima verificação

  1. Resposta da campanha de Flávio ao prazo de 72 horas dado pelo TSE sobre o canal de Janones.
  2. Esclarecimentos da Meta e eventual decisão posterior do TSE.
  3. Confirmação de presença e regras dos debates do SBT, Band/Estadão e Globo.
  4. Reação do PSD à declaração de Ratinho Jr. e eventual manifestação de outros diretórios estaduais.
  5. Próximas pesquisas nacionais, comparando cada instituto com sua própria rodada anterior.
  6. Detalhamento das propostas fiscais de Flávio e da regra de valorização do salário mínimo.
  7. Efeitos observáveis da entrada de Sidônio Palmeira na campanha de Lula, especialmente em percepção e intenção de voto.

Conclusão

A novidade política mais concreta é o apoio individual de Ratinho Jr. a Flávio, sem alteração da neutralidade oficial do PSD. A principal mudança operacional do lado de Lula é o afastamento de Sidônio Palmeira da Secom para reforçar a campanha a partir de 12 de outubro. Na frente judicial, o TSE cobra esclarecimentos sobre a ação contra o canal de Janones, mas ainda não reconheceu as acusações. O debate da Record foi cancelado e a atenção se desloca para os encontros previstos a partir de 15 de outubro.

O cenário das pesquisas permanece relativamente estável: Flávio aparece numericamente à frente na maioria dos levantamentos recentes, mas a divergência metodológica e o período de campo impedem tratar esses resultados como previsão definitiva. A próxima atualização deve se concentrar em novas pesquisas e em evidências concretas de que as mudanças de estratégia e os apoios políticos alteram a intenção de voto.