Segundo turno de 2026: Lula aciona o TSE contra Flávio, enquanto PT e PL disputam o alcance nas redes

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Data da atualização: 9 de outubro de 2026, às 19h02 (horário de Brasília)

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), que disputam o segundo turno presidencial no dia 25 de outubro. — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo e Diego Herculano/Reuters

1. Resumo executivo

Os movimentos mais relevantes desta atualização envolvem a judicialização da propaganda digital, o início do horário eleitoral gratuito e a recuperação do engajamento de Lula nas redes sociais.

A campanha petista acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro e o influenciador Pablo Marçal, questionando conteúdos políticos e um projeto de criptomoedas chamado B22. Separadamente, a coligação de Lula apresentou representação contra a Meta por suposta redução do alcance de publicações favoráveis ao presidente.

Essas iniciativas são ações e alegações das campanhas, não decisões judiciais que comprovem as irregularidades apontadas. A defesa de Flávio nega vínculo oficial com o projeto de criptomoedas.

No campo eleitoral, Lula recuperou engajamento digital, enquanto Flávio continua contando com uma rede partidária formal mais ampla. Não foi identificado, nesta verificação, um novo levantamento nacional de intenção de voto que permita medir o efeito dessas mudanças.

2. Principal novidade: campanha de Lula aciona a Justiça Eleitoral

2.1. Ações contra Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal

Em 9 de outubro, a campanha de Lula protocolou uma ação de investigação judicial eleitoral solicitando a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro, entre outras medidas. A iniciativa questiona o uso dos perfis de Pablo Marçal para divulgar conteúdos políticos e pede providências contra o site B22token, que oferece criptomoedas a usuários que compartilham publicações relacionadas ao projeto e conteúdo favorável ao candidato do PL. Folha de S.Paulo

Segundo as reportagens da Folha de S.Paulo, o projeto divulgou vídeos de crianças de Uganda usando camisetas relacionadas ao B22 e incentivando votos no número 22. A coligação petista sustenta que a distribuição de tokens em troca de divulgação pode configurar abuso de poder econômico e propaganda eleitoral irregular. Folha de S.Paulo

A posição da defesa: a campanha de Flávio afirma que Pablo Marçal é um apoiador político, mas não integra sua estrutura oficial. Também nega relação com o site ou com a venda de criptomoedas e informou que pretende tomar medidas judiciais para derrubar a página. Folha de S.Paulo

É necessário separar três níveis de informação:

  • Fato confirmado: a campanha de Lula apresentou ações e pedidos à Justiça Eleitoral.
  • Alegação sob apuração: a existência de abuso de poder econômico, propaganda irregular ou vínculo entre o projeto B22 e a campanha oficial.
  • Posição da defesa: Flávio nega envolvimento com o site e contesta as acusações.

Não há, nas fontes consultadas para esta atualização, uma decisão definitiva que confirme as acusações contra a chapa.

Fontes: Folha de S.Paulo — ação contra a chapa de Flávio; Poder360 — representações da coligação de Lula ao TSE.

2.2. PT também questiona a distribuição de conteúdo pela Meta

A coligação de Lula apresentou representação ao TSE alegando que publicações favoráveis ao presidente ou críticas a Flávio sofreram redução ou interrupção de alcance no Facebook e no Instagram.

A coligação solicita tratamento isonômico na distribuição dos conteúdos políticos. A alegação, porém, ainda não demonstra que houve uma decisão deliberada da plataforma para prejudicar um dos candidatos. As fontes consultadas não apresentam uma verificação independente conclusiva de favorecimento algorítmico. Poder360

Interpretação estratégica: a disputa digital deixou de envolver apenas a produção de vídeos e a mobilização de apoiadores. Passou a incluir também a discussão sobre regras de distribuição, transparência e possíveis irregularidades na propaganda.

Isso cria riscos para os dois lados: a campanha de Lula precisa fundamentar suas acusações; a de Flávio precisa responder às questões levantadas sem permitir que a controvérsia domine sua comunicação eleitoral.

3. Estratégia de comunicação: recuperação digital de Lula e discurso de mudança de Flávio

3.1. Lula aumenta o engajamento nas redes

Levantamento do Projeto Brief publicado pela Folha de S.Paulo indica que as contas oficiais de Lula registraram 9,9 milhões de interações em 7 de outubro, somando curtidas, comentários e compartilhamentos. Foi o maior resultado diário dos dois candidatos desde 14 de setembro.

Segundo o levantamento, Flávio havia liderado o engajamento em 14 dos 17 dias analisados em setembro. Lula passou à frente a partir de 5 de outubro, e um vídeo publicado pelo presidente no Instagram contribuiu para o salto observado em 7 de outubro. O estudo considerou publicações nas contas oficiais dos candidatos em Instagram, TikTok, X, YouTube e Facebook, entre 14 de setembro e 7 de outubro. Folha de S.Paulo

O resultado favorece a capacidade de Lula de mobilizar sua base digital, mas engajamento não equivale a intenção de voto. Interações podem vir de eleitores já convencidos e não demonstram, isoladamente, persuasão de indecisos ou aumento do comparecimento às urnas.

Fonte: Folha de S.Paulo — levantamento sobre engajamento digital.

3.2. Propaganda eleitoral: “mudança” e “prosperidade”

A propaganda gratuita de rádio e televisão do segundo turno começou em 9 de outubro. As duas campanhas tentam associar suas candidaturas à mudança, mas apresentam argumentos diferentes. UOL Notícias

TemaEstratégia de LulaEstratégia de Flávio
Mensagem centralContinuidade com mudanças de rumo e defesa dos programas sociaisMudança de governo e promessa de prosperidade
EconomiaÊnfase em emprego, renda e proteção socialRedução de impostos e despesas públicas
Benefícios sociaisAlerta para possíveis cortes caso o adversário vençaPromessa de manter benefícios como Bolsa Família e Farmácia Popular
ComunicaçãoExperiência de governo e riscos atribuídos à alternativaRenovação, segurança pública e simplificação do Estado

Flávio também apresentou a ideia de criar um “Ministério da Prosperidade”, sem detalhar sua estrutura ou custo. Sua campanha promete preservar benefícios sociais ao mesmo tempo que defende cortes de gastos e impostos. A compatibilidade entre essas promessas e a execução orçamentária é uma questão que ainda precisa de explicações mais concretas. UOL Notícias

Análise: Lula tenta reduzir o apelo da mudança defendida pelo adversário, associando-a a riscos para políticas públicas. Flávio procura evitar que essa narrativa comprometa sua imagem junto a beneficiários de programas sociais. O efeito das mensagens ainda não pode ser medido pelas pesquisas disponíveis.

4. Alianças e apoios: o quadro partidário permanece relativamente estável

Não foi identificada nesta rodada uma nova adesão partidária nacional de peso que altere substancialmente o cenário já descrito.

Flávio mantém os apoios formais da federação União Brasil/Progressistas, do Republicanos, do Podemos e do Novo. Também conta com manifestações individuais de apoio de candidatos derrotados no primeiro turno, entre eles Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Esses apoios não garantem a transferência integral dos votos recebidos por esses candidatos. UOL Notícias

Apoios individuais a Lula

Uma manifestação relevante foi a declaração de voto da cantora Anitta em Lula, publicada em 9 de outubro. Ela criticou o bolsonarismo e defendeu a importância de preservar a democracia e os direitos individuais. Trata-se de um apoio público individual, não de uma adesão partidária; seu impacto eleitoral não pode ser presumido sem evidências adicionais. UOL

A posição do PSD

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, reiterou que o partido permanece independente e permite que seus integrantes escolham individualmente quem apoiar. Ele reconheceu que Caiado apoia Flávio, enquanto outras lideranças do PSD apoiam Lula.

Kassab também manifestou preocupação com uma possível tensão entre Executivo e Judiciário em caso de vitória de Flávio, embora tenha declarado confiar na estabilidade das instituições democráticas. Folha de S.Paulo

Comparação: Flávio continua com uma rede partidária formal mais ampla. Lula tenta compensar essa diferença com sua base original, apoios individuais e mobilização eleitoral. Nenhuma das campanhas pode tratar o apoio de uma liderança como garantia de transferência automática de votos.

Fontes: UOL — apoios e doações no segundo turno; UOL — declaração de voto de Anitta; Folha de S.Paulo — entrevista com Gilberto Kassab.

5. Pesquisas eleitorais: sem novo levantamento nacional confirmado

Os resultados nacionais mais recentes identificados continuam divergentes. Não foi localizado, nesta verificação, um novo levantamento nacional que permita avaliar o efeito da propaganda eleitoral iniciada em 9 de outubro ou das novas ações judiciais.

InstitutoData de campoAmostra e metodologiaMargem de erroResultado
Datafolha6 e 7/102.520 eleitores; entrevistas presenciais±2 pontos percentuaisFlávio 49%, Lula 45% dos votos totais; 52% a 48% nos votos válidos
AtlasIntel/Bloomberg3 a 8/105.026 entrevistados; recrutamento digital e questionário on-line±1 ponto percentualFlávio 51,1%, Lula 45,7% dos votos totais; 52,8% a 47,2% nos votos válidos
Vox Brasil5 a 7/102.100 eleitores; entrevistas presenciais domiciliares±2,15 pontos percentuaisLula 44,2%, Flávio 42,7% nas intenções estimuladas

Fontes: Datafolha, AtlasIntel/Bloomberg e Vox Brasil. Folha de S.Paulo

Os números não devem ser comparados sem considerar a metodologia e o período de campo. Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg apontam vantagem de Flávio; a Vox Brasil apresenta Lula numericamente à frente, com diferença dentro da margem de erro.

Conclusão sobre as pesquisas: Flávio começa o segundo turno em posição competitiva e lidera dois dos três levantamentos citados, mas não existe consenso entre os institutos. Também não é possível atribuir uma eventual mudança de intenção de voto às novas estratégias sem pesquisas posteriores que permitam essa comparação.

6. Mobilização territorial: São Paulo é uma frente decisiva

Em São Paulo, o governador reeleito Tarcísio de Freitas e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, articulam prefeitos, vereadores e lideranças regionais para consolidar a vantagem de Flávio no estado.

O PT, por sua vez, reorganizou sua atuação e atribuiu a Fernando Haddad papel central na coordenação estadual. A campanha retomou panfletagens e mobilização de base, buscando recuperar terreno em regiões com maior abstenção ou diferenças pequenas entre os candidatos. Folha de S.Paulo

Na Bahia, o governador reeleito Jerônimo Rodrigues reconheceu que a imagem histórica de Lula já não basta para convencer parte do eleitorado. Ele defendeu combinar temas como democracia e soberania com questões cotidianas, incluindo alimentação, moradia e segurança. Essa é uma avaliação política de um aliado, não uma medição estatística da opinião pública. Folha de S.Paulo

Comparação estratégica:

  • Lula: precisa preservar sua força no Nordeste e reduzir perdas nos grandes colégios eleitorais, sobretudo em São Paulo.
  • Flávio: procura transformar os apoios de governadores e prefeitos em mobilização local e consolidar o resultado do primeiro turno.

Fontes: Folha de S.Paulo — mobilização em São Paulo; Folha de S.Paulo — avaliação do governador da Bahia.

7. Fatores que podem favorecer ou prejudicar cada candidato

CandidatoFatores favoráveisFatores de risco
LulaRecuperação do engajamento digital; base partidária original; capacidade de mobilizar aliados estaduais e eleitores ausentes; apoio público de Anitta.Vantagem de Flávio em Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg; campanha em reorganização; necessidade de responder à insatisfação com o governo; risco de a comunicação baseada em possíveis cortes ser percebida como pouco propositiva.
Flávio BolsonaroRede formal de apoios mais ampla; apoio de lideranças estaduais e municipais; liderança no primeiro turno e em dois levantamentos do segundo turno.Ações judiciais sobre o B22 e conteúdos de Pablo Marçal; necessidade de explicar como conciliará cortes de gastos com promessas de manutenção de benefícios; apoios partidários não garantem transferência integral de votos.

As ações judiciais representam um risco político e jurídico para Flávio, mas não devem ser tratadas como prova de irregularidade antes da apuração. Da mesma forma, o aumento do engajamento digital favorece a capacidade de comunicação de Lula, mas não comprova ganho eleitoral.

8. Sinais a acompanhar na próxima atualização

  1. Decisões do TSE: medidas sobre o site B22, os perfis de Pablo Marçal e os conteúdos contestados.
  2. Resposta da Meta: manifestação da plataforma e eventual apresentação de dados sobre a alegação de redução de alcance.
  3. Novas pesquisas nacionais: especialmente levantamentos cujo trabalho de campo ocorra depois do início da propaganda do segundo turno.
  4. Transferência de votos: comportamento dos eleitores de candidatos derrotados, sem presumir que declarações de apoio representem todo o eleitorado.
  5. Mobilização regional: sinais de mudança em São Paulo e no Nordeste.
  6. Propostas econômicas: detalhamento dos cortes defendidos por Flávio e respostas de Lula sobre custo de vida, segurança e serviços públicos.
  7. Debates presidenciais: a Record cancelou o encontro previsto para 11 de outubro por incompatibilidade de agendas. Os debates anunciados para a Band, em 18 de outubro, e para a Globo, em 22 de outubro, devem ser acompanhados quanto à confirmação e à participação dos candidatos. UOL Notícias

Conclusão

O cenário geral permanece competitivo, com vantagem inicial de Flávio nas alianças formais e em dois dos três levantamentos nacionais citados. A principal novidade desta atualização é a ampliação da disputa judicial em torno da propaganda digital, incluindo as acusações relativas ao B22 e à distribuição de conteúdos nas plataformas.

Lula apresenta sinais de recuperação de engajamento e tenta reconstruir sua campanha nas ruas, mas precisa converter comunicação em votos. Flávio dispõe de uma rede política mais ampla, mas precisa administrar os riscos jurídicos e reputacionais e explicar como suas propostas econômicas serão executadas.

As próximas pesquisas e decisões do TSE serão os indicadores mais úteis para avaliar se esses movimentos alteram efetivamente a disputa. Até lá, acusações devem continuar sendo distinguidas de fatos comprovados, e engajamento digital não deve ser confundido com intenção de voto.

By editor