Projeto propõe padronizar calçadas de Marechal Rondon, ampliar a acessibilidade, organizar a circulação de pedestres e exigir arborização em novos imóveis.

Projeto pretende mudar padrão das calçadas

A Câmara de Vereadores de Marechal Cândido Rondon debate uma proposta que pode modificar as regras para construção e conservação das calçadas no município.

O Projeto de Lei Complementar nº 02/2026, de autoria do vereador Rafael Heinrich, estabelece um novo padrão técnico para os passeios públicos e pretende substituir as normas atualmente em vigor.

A proposta tem como principais objetivos melhorar a acessibilidade, aumentar a segurança dos pedestres, eliminar obstáculos e organizar a circulação nas áreas urbanas.

Calçadas serão divididas em três faixas

Uma das principais mudanças previstas é a divisão das calçadas em três áreas funcionais: faixa de serviço, faixa livre e faixa de acesso.

A faixa de serviço ficará próxima à guia e poderá receber árvores, postes, mobiliário urbano e outros equipamentos.

No centro estará a faixa livre, destinada exclusivamente à circulação de pedestres. A proposta estabelece largura mínima de 1,50 metro para essa área. Em vias de maior circulação, como as arteriais, esse espaço poderá chegar a três metros.

Já a faixa de acesso ficará junto aos imóveis e será destinada a entradas de garagens, rampas e demais acessos às propriedades.

Acessibilidade ganha prioridade

O projeto utiliza como referência normas técnicas da ABNT e a legislação relacionada aos direitos das pessoas com deficiência.

Entre as medidas previstas estão regras para piso tátil, rebaixamento de guias e adequação dos espaços para pessoas com deficiência visual ou com mobilidade reduzida.

A proposta também busca reduzir barreiras arquitetônicas que atualmente dificultam a circulação de idosos, crianças, cadeirantes e outros pedestres.

A justificativa apresentada pelo autor sustenta que a padronização não deve ser tratada apenas como uma questão estética, mas como uma política de mobilidade e inclusão.

Novos imóveis terão de plantar árvores

Outro ponto relevante do projeto é a exigência de arborização.

A proposta prevê que novos imóveis tenham pelo menos uma árvore plantada na calçada como condição para a liberação do alvará de Habite-se.

A medida associa o planejamento das calçadas à arborização urbana, buscando ampliar a presença de áreas verdes e melhorar as condições ambientais dos espaços públicos.

Proprietário continuará responsável pela calçada

Mesmo com a definição de um padrão municipal, a responsabilidade pela construção e conservação da calçada continuará sendo do proprietário ou possuidor do imóvel.

O projeto considera como situações de má conservação a existência de buracos, degraus inadequados e outros problemas que possam comprometer a circulação segura.

Também está prevista a possibilidade de notificação do responsável para que faça a regularização.

Prefeitura poderá executar reparos

Caso o proprietário não faça a manutenção exigida, o Município poderá executar diretamente os serviços necessários.

Nessa situação, os custos poderão ser cobrados posteriormente do proprietário, com acréscimo destinado às despesas administrativas.

A previsão procura evitar que calçadas em condições inadequadas permaneçam por longos períodos prejudicando a circulação de pedestres.

Proposta ainda precisa avançar na Câmara

O Projeto de Lei Complementar nº 02/2026 ainda passa pelo processo de análise legislativa. A proposta deverá ser avaliada pelas instâncias técnicas e comissões competentes antes de chegar ao plenário.

Se for aprovada pelos vereadores e posteriormente sancionada pelo Executivo, a nova legislação substituirá as regras atualmente utilizadas para as calçadas do município.

Padronização pode mudar a paisagem urbana

Mais do que definir o tipo de piso ou a largura de uma calçada, o projeto coloca em discussão quem deve ter prioridade no espaço urbano.

A proposta parte da ideia de que a calçada não é uma extensão particular do imóvel, mas uma estrutura de circulação pública. Na prática, isso significa limitar obstáculos, organizar árvores e equipamentos e garantir uma faixa contínua para os pedestres.

O desafio, entretanto, será transformar a regra em fiscalização e execução efetivas. Uma legislação detalhada pouco muda a realidade se calçadas continuarem sendo construídas ou reformadas sem fiscalização adequada.

Para o cidadão, o resultado esperado é simples: poder caminhar pela cidade com segurança, sem precisar disputar espaço com veículos ou desviar de obstáculos.